Tuesday, August 03, 2004

Hoje, maioria aqui; amanhã, minoria além...

Rapariga da Gabela
Rapariga da Gabela, gravura de Neves e Sousa

Aos que, quiçá por má consciência, me acusem de considerar o racismo como um fenómeno unidireccional, eu dedico o poema “Angolano” de Albano Neves e Sousa.
Sei que se pode passar de discriminador a discriminado, consoante se mude de continente, país ou mesmo região.
Embora nascido branco em Matosinhos e com uma longa estadia no Brasil, Neves e Sousa era angolano de coração, de vivência, de opção e de direito. E sentiu necessidade de afirmá-lo.


Angolano

Ser angolano é meu fado, é meu castigo
branco eu sou e pois já não consigo
mudar jamais de cor ou condição...
Mas, será que tem cor ou coração?


Ser africano não é questão de cor
é sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão nem mesmo de bandeiras
de língua, de costumes ou maneiras...


A questão é de dentro, é sentimento
e nas parecenças de outras terras
longe das disputas e das guerras
encontro na distância esquecimento!


- Neves e Sousa



1 comment:

Afonso said...

quero ir a Gabela!