Sunday, August 01, 2004

Bem Haja, Manuel Alegre!

Oxalá o debate seja relançado,
Ojalá que el deseo se vaya tras de ti...


Oxalá a promessa eleitoral de Manuel Alegre seja a semente de um debate que passe para além do Partido Socialista e ganhe contornos na sociedade portuguesa. Ojalá que el deseo se vaya tras de ti, digo com Silvio Rodriguez.

"...Candidato-me para valorizar a nossa diversidade étnica, cultural, nacional e espiritual, transformando-a numa oportunidade de desenvolvimento. Candidato-me em defesa de uma sociedade cosmopolita, que saiba conjugar diversidade e cidadania, o mútuo reconhecimento da dignidade individual com a cooperação e a solidariedade, prevenindo a segmentação social e a discriminação racial.Comigo como Secretário Geral, o PS será um protagonista activo da criação de uma sociedade inclusiva e cosmopolita. Para isso, precisa de ter mais jovens, mais mulheres, mais imigrantes e emigrantes, não só como militantes, mas também participando equitativamente em todos os níveis de responsabilidade...".

- Manuel Alegre, Apresentação da candidatura a Secretário Geral do Partido Socialista, Lisboa, 29 de Julho de 2004


"... valorizar a nossa diversidade étnica... prevenindo a... discriminação racial."

Como no poema

Como no poema, seria bom que achássemos quem nunca fomos, o país que se perdeu de mar em mar, para que em Portugal ninguém fosse estrangeiro.

Regresso

E contudo perdendo-te encontraste.
E nem deuses nem monstros nem tiranos
te puderam deter. A mim os oceanos.
E foste. E aproximaste.

Antes de ti o mar era mistério.
Tu mostraste que o mar era só mar.
Maior do que qualquer império
foi a aventura de partir e de chegar.

Mas já no mar quem fomos é estrangeiro
e já em Portugal estrangeiros somos.
Se em cada um de nós há ainda um marinheiro
vamos achar em Portugal quem nunca fomos.

De Calicute até Lisboa sobre o sal
e o Tempo. Porque é tempo de voltar
e de voltando achar em Portugal
esse país que se perdeu de mar em mar.

- Manuel Alegre

2 comments:

Afonso said...

soa a "du déjà vu". Faz-me lembrar discursos de Salazar e Marcelo Caetano.
Lembra-me igualmente o passado dele e sua mulher (Isabel qualquer coisa)que durante o periodo revolucionário orientou (como médica)torturas infligidas ao soldado africano Marcelino da Mata com choques electricos e queimaduras de pontas de cigarro(*).
(*): in: "Tal & Qual" de 1994 ou 95(?)

Afonso said...

Correcção. Lembro-me hoje de que Marcelino da Mata acusou Isabel do Carmo por ser cumplice daquelas torturas. No entanto, ao que parece essa mulher nunca se casou com Manuel Alegre.